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17/02/2017 11:58:13 - Atualizado em 17/02/2017 12:00:16


Reportagem expõe trabalho escravo em confecções

Programa flagrou mais de 22 fábricas clandestinas explorando trabalhadores em SP

Foto: Reprodução/ Record TV
O programa Câmera Record de quinta-feira (16), expôs a situação de trabalhadores escravos em confecções de São Paulo. De acordo com a reportagem, há cerca de 100 mil trabalhadores explorados em, pelo menos, oito mil oficinas de produção de roupas. Muitas delas fornecem para grandes marcas.
 
A M. Officer, por exemplo, foi condenada, no ano passado, a pagar R$ 6 milhões por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. Em uma das ações de fiscalização, foram encontradas peças com etiquetas da Empório Alex. 
 
Durante três meses, os repórteres Romeu Piccoli, Ana Haertel, Daniel Motta e o editor Marcelo Magalhães flagraram 22 confecções clandestinas explorando trabalhadores de todas as maneiras na Grande São Paulo.
 
O procurador da Justiça do Trabalho, Luis Fabre, estima que existam 100 mil pessoas em condições análogas à escravidão só na capital paulista. Foi em uma dessas oficinas que o repórter Daniel Motta conseguiu uma vaga de emprego, disfarçado de imigrante nordestino recém-chegado a São Paulo.
 
Ele foi contratado sem carteira assinada e teve que trabalhar incansáveis 14 horas por dia, com a promessa de receber no final do mês um salário de cerca de 400 reais. “Às seis horas da manhã eu tinha que acordar. Ganhei um café e um pão amanhecido, duro, para começar o trabalho”, conta.
 
Nas chamadas “casas da escravidão”, mesmo o recém-empregado, que geralmente não tem experiência alguma com o maquinário, é obrigado a fazer mais de 150 peças de roupas diariamente. “O tempo era muito pouco pra aprender a costurar”, diz o repórter, que experimentou desde o início a pressão do supervisor da oficina.
 
O expediente só chegou ao fim por volta das 22h, com pequenas pausas para o almoço e jantar.  Com um porém: “Eles descontam do salário a comida”, revela Motta.
 
O repórter infiltrado passou a noite em claro, com receio de ser descoberto, em um pequeno quarto no fundo da casa. De manhã, a surpresa: “A porta é trancada. Eu não conseguia sair. Ela é fechada por fora. E assim deve ser o quarto de todos os outros que trabalham aqui para que eles não saiam”.
 
As gravações mostram crianças convivendo com os pais nesses ambientes.
 
Confira um trecho da reportagem:
 
 
A reportagem completa está disponível no site do programa.

Fonte: Câmera Record, com adaptações


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