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29/09/2017 16:44:20 - Atualizado em 29/09/2017 16:44:20


Trabalho infantil é tema de audiência pública na Câmara Municipal

"Estamos desconstruindo o futuro. Os trabalhadores infantis abandonam as escolas, a maioria não consegue terminar o ensino médio", ressaltou representante do FEPETI-RO

Em audiência pública na tarde do último dia 19 na Câmara Municipal de Porto Velho, autoridades de diversos órgãos competentes debateram sobre a Erradicação do Trabalho Infantil em Porto Velho, sessão proposta pelo vereador Márcio Miranda.
 
Com apoio dos pares, o vereador enfatizou a necessidade de trabalho conjunto tanto do executivo e legislativo, como do judiciário. “Precisamos encontrar alternativas para esse problema que vem, visivelmente, crescendo na nossa cidade”.
 
O juiz do Trabalho, Vitor Leandro Yamada, afirma que o problema é ainda mais presente na área rural, e que a há um projeto em andamento junto à Emater para a conscientização de famílias de pequenos produtores.
 
“O programa de combate ao trabalho infantil e estímulo à aprendizagem está sendo desenvolvido nessas áreas. Os trabalhos doméstico e rural são os mais perversos e de maior incidência no estado. A família é maior responsável pela exploração do trabalho infantil, incentivando crianças e adolescentes ao trabalho sem que essas crianças tenham condições de continuar estudando. Temos que combater essa realidade dessa prática nefasta e tão prejudicial ao nosso país”, declarou.
 
Coordenadora do Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador, Carmelita de Oliveira Domingues diz que os registros dão conta de  milhares de crianças e adolescentes de 05 a 17 anos sendo exploradas. Incluindo  crianças de 5 a 9 anos de idade na atividade rural. As meninas de 9 a 12 anos trabalhando como empregadas domésticas também são alarmantes. Estamos desconstruindo o futuro. Criando adultos doentes que logo não conseguirão mais trabalhar para se manter. Eles abandonam as escolas, a maioria não consegue terminar o ensino médio. É preciso que as autoridades políticas incluam nas leis  orçamentaria  municipal e estadual verbas para o combate ao trabalho infantil” no Estado.
 
Para Marcos Valerio  Tessila, promotor de Justiça, destacou que tudo começa pela educação. “É preciso dar apoio, orientação e estímulo. Oferecer cidadania. É a educação que oferece isso e prepara para o exercício de uma atividade remunerada. Há muito tempo não via essa quantidade tão expressiva de crianças nos semáforos. Algo não está saindo como deveria, e os atores responsáveis devem começar a se mobilizar, mesmo que através das cotas. Se uma empresa não cumpre a cota por não oferecer um trabalho remunerado adequado para aprendizes, que a cota dessa empresa seja destinada para investimento no Cras ou Creas, enfim, o que não pode é deixar de investir”.
  
 

Fonte: Rondônia Agora


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